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JusBrasil - Política
20 de abril de 2014

Coronelismo, tapetão e greve de fome

Publicado por O Povo (extraído pelo JusBrasil) - 3 anos atrás

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O Lula não é meu adversário. Não vou deslocar minha pontaria para o Lula. O Satanás nessa história toda é o Sarney. Ele e a família dele. O Lula sofre com as chantagens e pressões dele. Nosso inimigo é o Sarney, afirmou o deputado federal, Domingos Dutra (PT-MA),

Dutra, que acusa o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) de mergulhar o Maranhão numa ditadura de 46 anos, está em greve de fome há seis dias, em protesto contra a intervenção do Diretório Nacional do PT no Estado.

Segundo o deputado, que livrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de qualquer responsabilidade, o PT maranhense teria realizado um encontro para definir as alianças em torno da sucessão estadual, onde, em votação secreta, venceu a proposta de coligação entre os partidos PT, PSB e PC do B, numa chapa pró-Flávio Dino, pré-candidato do PC do B ao Governo do Estado.

No entanto, contrariando a decisão do Diretório Estadual, a Executiva Nacional do PT decidiu pelo apoio à candidatura de Roseana Sarney (PMDB).

Nós derrubamos a proposta de coligação com PMDB de Roseana. Nós ganhamos aqui e o Sarney nos derrubou no tapetão, em Brasília, acusou o deputado.

Minas e Fortaleza

A situação maranhense assemelha-se à de Minas Gerais, onde, há alguns dias, o Diretório Nacional também obrigou que o PT mineiro apoiasse uma candidatura peemedebista.

Em Minas, o petista Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, e Patrus Ananias, ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, disputaram internamente a vaga para o Governo. Pimentel venceu e, também a pedido da executiva nacional do PT, cedeu, lançando-se ao Senado e apoiando o senador Hélio Costa (PMDB), pré-candidato ao Governo.

Já em Fortaleza, em 2004, ocorreu uma situação inversa. A Executiva Nacional petista optou por dar apoio informal ao então candidato do PC do B à Prefeitura, Inácio Arruda, ao invés de pedir voto para Luizianne Lins. Com apoio petista maciço apenas no segundo turno, Luizianne venceu o então candidato do DEM, Moroni Torgan.

Inadmissível

O deputado Domingos Dutra afirmou que embora governe o país, o presidente não deve interferir na dinâmica política nos estados. Não dá pra obrigar o PT a esquecer tudo que já fizemos. O quanto lutamos contra o Sarney e apoiá-lo, disse. Ele considera inadmissível que o partido defenda os direitos da elite latifundiária do Maranhão.

Vocês no Ceará já tiveram Ciro, Tasso e agora Cid. Isso porque há 20 anos os coronéis foram derrubados. No Piauí e Pará da mesma forma. No Maranhão não tivemos isso. O Sarney mantém o Maranhão numa ditadura de 46 anos, acusou.

Dutra negou que houvesse alguma orientação para que os diretórios estaduais apoiassem o PMDB. De acordo com ele, o secretário-geral nacional do PT, José Eduardo Cardozo, teria proposto que o PT não ficasse coligado com ninguém e a Executiva Estadual teria aceito, mas a orientação não teria sido seguida.

Companheirismo

Além de Dutra, outros dois petistas se mantém em greve de fome: o fundador nacional do PT, Manoel da Conceição, também a seis dias, e a ex-deputada federal e ex-secretária estadual do Trabalho e Economia Solidária, Teresinha Fernandes, que aderiu ao protesto na última segunda-feira.

Estamos dormindo no plenário da Câmara, bebendo somente água, afirmou Dutra. Segundo ele, a manifestação só irá acabar sob três hipóteses: ou o PT faz um acordo entre os diretórios, ou por decisão favorável da Justiça, ou ainda após a convenções estadual, marcada para o próximo dia 30.

Estamos exigindo nossa legalidade partidária. Anularam nossa decisão, entregando o partido de mãos beijadas para Roseana. Aqui, até hoje, não tivemos alternância de poder depois da redemocratização. Por isso estamos em greve!

Palanque pró-Dilma

Dutra negou que o apoio do Diretório Estadual à candidatura de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto esteja condicionada à retirada do apoio a Roseana.

A Dilma é a nossa candidata. Nunca houve dúvida quanto a isso. Nenhuma. Faremos campanha para ela, garantiu.

De acordo com o deputado, o PT estaria sendo iludido pelas promessas de José Sarney. (com agências)

EMAIS

PCDOB NEGOCIA ALIANÇA COM PDT

- Depois que o PT nacional decidiu intervir e apoiar a candidatura de Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão, o PCdoB começou a discutir com o PDT a formação de uma ampla aliança contra a peemedebista. As negociações envolvem a retirada das candidaturas do deputado Flávio Dino (PCdoB) ou do ex-governador Jackson Lago (PDT).

- Os partidos, no entanto, devem arrastar um desfecho para o caso até o dia 26, quando o PCdoB realiza a convenção para formalizar o candidato ou anunciar apoio para alguma coligação.

- Os comunistas esperam ainda o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliar a extensão da Lei da Ficha Limpa, decidindo se os políticos condenados, antes da aprovação da norma, estão proibidos de se candidatar nas eleições deste ano, o que impediria a participação de Lago. O pedetista ainda enfrenta problema com a direção de seu partido que exige que ele faça campanha a favor da presidenciável do PT, Dilma Rousseff.

- No Maranhão, o ex-governador está aliado com o PPS e PSDB e declarou apoio ao candidato tucano à Presidência, José Serra.

- Flávio Dino classificou as conversas de incipientes, mas reconheceu que pode ocorrer a retirada de alguma candidatura. Sem o apoio do PT, Dino tem apenas a sustentação do PSB. Pode haver (a retirada da candidatura), se esse for o entendimento das amplas forças, mas esse não é o nosso objetivo. Estamos em uma paquera em torno da criação de uma ampla frente dos partidos que não fazem parte do campo Sarney, mas tudo ainda é incipiente.

- Dino reafirmou que fará campanha para Dilma, mas chamou de tática suicida a estratégia do PT para conquistar aliados e garantir uma ampla coligação para a petista.

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